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Antes dos PCs, houve John von Neumann

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13 janeiro 2026
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John von Neumann (1903–1957): o génio que moldou os computadores modernos

Quando ligamos um computador, um smartphone ou até um servidor na cloud, raramente pensamos nas ideias que estão por detrás do seu funcionamento. No entanto, muitas dessas ideias remontam a um único nome: John von Neumann, um dos maiores génios científicos do século XX. A sua contribuição para a informática foi tão profunda que a arquitetura que idealizou continua a ser a base de quase todos os computadores modernos.

Um prodígio intelectual

John von Neumann nasceu em 1903, em Budapeste, no então Império Austro-Húngaro. Desde muito cedo revelou capacidades intelectuais extraordinárias: falava várias línguas, tinha uma memória excecional e resolvia problemas matemáticos complexos com facilidade desconcertante.

Ao longo da sua vida, destacou-se em múltiplas áreas — matemática, física, economia e engenharia — mas foi na informática nascente que deixou uma marca verdadeiramente histórica.

O nascimento da arquitetura de von Neumann

Na década de 1940, os primeiros computadores eletrónicos estavam a surgir, mas eram máquinas rígidas, difíceis de reprogramar e altamente especializadas. Foi neste contexto que von Neumann apresentou uma ideia revolucionária: um computador de programa armazenado.

A chamada arquitetura de von Neumann baseia-se em três princípios fundamentais:

  • Processamento centralizado numa unidade de processamento (CPU)

  • Memória única para armazenar tanto os dados como os programas

  • Execução sequencial de instruções, uma de cada vez

Embora muitas vezes se diga que esta arquitetura separa processamento e memória, o seu verdadeiro avanço foi definir claramente as funções de cada componente e a forma como comunicam entre si. Este modelo simples e elegante tornou possível criar computadores genéricos, capazes de executar diferentes programas sem alterações físicas.

Porque é que ainda a usamos hoje?

Apesar de terem passado mais de 70 anos, a arquitetura de von Neumann continua a ser dominante. A razão é simples: funciona extremamente bem. A sua simplicidade permitiu uma evolução constante do hardware e do software, desde os primeiros computadores de sala inteira até aos dispositivos portáteis atuais.

Mesmo com melhorias modernas — como caches, múltiplos núcleos e paralelismo — a estrutura base mantém-se fiel ao modelo original de von Neumann. Conceitos como o ciclo de busca–descodificação–execução ainda são ensinados como fundamento da ciência dos computadores.

Limitações e legado

Claro que a arquitetura de von Neumann não é perfeita. Uma das suas limitações mais conhecidas é o chamado “gargalo de von Neumann”, causado pela necessidade de a CPU aceder constantemente à memória através de um canal partilhado. Ainda assim, este problema levou a inovações importantes, em vez de tornar o modelo obsoleto.

O verdadeiro legado de John von Neumann não está apenas numa arquitetura específica, mas na forma como pensou o computador como uma máquina universal. Essa visão abriu caminho para o software moderno, os sistemas operativos e, em última análise, para a sociedade digital em que vivemos.

Um génio intemporal

John von Neumann faleceu em 1957, com apenas 53 anos, mas a sua influência continua viva todos os dias nos eletrónicos que utilizamos. Poucos cientistas podem afirmar que as suas ideias resistiram tão bem ao teste do tempo.